quinta-feira, 5 de julho de 2012

Dólar é o melhor investimento do 1º semestre 2012; Ibovespa fica na lanterna


  SÃO PAULO - O primeiro semestre de 2012, que começou bem para os mercados de renda variável, reverteu os ganhos dos dois primeiros meses do ano até junho, devido a uma reversão dos sentimentos do mercado, principalmente a partir de março.
Com isso, o dólar, medido pela taxa Ptax que teve o pior desempenho nos dois primeiros meses do ano, sofreu uma valorização em 7,76% no semestre - apesar da queda de 0,05% em junho, ocupando assim a primeira posição do ranking na primeira metade de 2012.
No começo do ano, a divisa norte-americana registrava fortes quedas, o que acabou gerando pressão sobre o governo de que ele deveria atuar de modo a segurar a taxa de câmbio, principalmente da indústria brasileira, de modo a não prejudicar a competitividade do setor. Com isso, foram realizadas diversas medidas para segurar a alta da moeda norte-americana.
Entretanto, após fevereiro, com a maior apreensão no mercado financeiro internacional, houve uma maior procura pela moeda norte-americana. Assim, o Banco Central passou a atuar, de modo a segurar a valorização da divisa, através de diversos leilões de swap cambial tradicional. Mesmo assim, o dólar seguiu em franca valorização, terminando junho acima de R$ 2,00.
Já o ouro, também foi bastante procurado em um cenário de pessimismo no mercado, o que levou à segunda posição do ranking de rentabilidade do semestre, com alta de 7,53%. Essa alta é em boa parte explicada pela forte valorização de 5,33% em abril.
Com isso, o Ibovespa, que havia registrado alta de 11,13% em janeiro e de 4,34% no mês seguinte, ficou na lanterna entre os seis investimentos compilados pela Infomoney durante o semestre. No acumulado do ano, a queda foi de 4,23%.
Ibovespa: expectativas de melhora não se cumprem
A Europa continuou ditando o cenário no primeiro semestre de 2012. Com isso, o Ibovespa esteve na lanterna dos investimentos, com desvalorização real de 7,19%, descontada a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado).
 Ibovespa no semestre
Mês Variação
Janeiro +11,13%
Fevereiro +4,34%
Março -1,98%
Abril -4,17%
Maio -11,86%
Junho -0,25%
2011 -4,23%
Vale ressaltar que o benchmark teve alta 11,13% em janeiro e de 4,34% no mês seguinte. No começo do ano, o cenário era mais positivo para o Velho Continente, com a percepção de resoluções, ao menos entre as principais autoridades da região, o que impulsionaram os ganhos da bolsa em janeiro.
Em fevereiro, o índice foi mais uma vez privilegiado pelo alívio das preocupações nos mercados internacionais, com perspectivas melhores para a economia norte-americana e o avanço nas negociações para o default grego. No começo de março, entretanto, o benchmark passou a ter quedas, e desde então não saiu mais da última posição do ranking.
Naquela época, o mercado reagiu com otimismo à disponibilização de € 529,53 bilhões em empréstimos de longo prazo aos bancos da Zona do Euro pelo BCE (Banco Central Europeu), aumentando a liquidez. Entretanto, março terminou com maior pessimismo, após a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) afirmar que a crise na Zona do Euro está longe do fim.
Temores sobre uma possível recessão na Europa continuaram a pressionar o mercado em abril e maio. As eleições no continente europeu  também impulsionaram foram o principal catalisador para esse desempenho negativo, com resultados mal vistos pelo mercado, mas que logo foram aliviados após o fortalecimento de partidos favoráveis ao plano de resgate.
Já o final de junho se encerrou mais otimista, com a autorização da recapitalização direta dos bancos e a compra de títulos públicos, além de um plano de crescimento em € 120 bilhões determinada nas reuniões da Zona do Euro.
Renda fixa e ouro
Na renda fixa, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) acumulou retorno de 4,45% e foi seguido de perto pelo desempenho dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), que marcaram alta de 4,32% no semestre.
A caderneta de poupança, por sua vez, teve rentabilidade de 3,31% no período. Vale ressaltar que, no início de maio, o governo alterou as regras da poupança, o que abriu espaço para novos cortes na Selic.
Com isso, e em meio à preocupação com a atividade econômica do País, o Banco Central reduziu, na reunião do final de maio, a taxa básica de juro em 50 pontos-base, para 8,5% ao ano. Com essa queda, o rendimento da aplicação passou a ser calculado em 70% da Selic mais TR (Taxa Referencial).
Veja a rentabilidade dos investimentos no semestre:
Investimento Junho Real* Maio Real** 1º semestre Real***
Dólar PTAX -0,05% -0,71% +6,90% +5,82% +7,76% +4,43%
Ouro +2,33% +1,66% +0,20% -0,81% +7,53% +4,21%
CDI***** +0,63% -0,03% +0,73% -0,28% +4,45% +1,22%
CDB ****** +0,65% -0,01% +0,66% -0,36% +4,32% +1,10%
Poupança +0,50% -0,16% +0,55% -0,47% +3,31% +0,12%
Ibovespa -0,25% -0,90% -11,86% -12,75% -4,23% -7,19%
IGP-M   +0,66% +1,02%   +3,19%  

*Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +0,66% em junho
**Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +1,02% em maio
***Deduzida a variação do IGP-M que ficou em +3,19% no primeiro semestre
*** Taxa Efetiva Andima
**** CDB Líquido (acima de R$ 100 mil)

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